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CHINA: Uma Grande Surpresa

315 leituras

Por Everton J. De Ros
Especialmente para Revista Potência

Há tempo não fazia uma viagem à China. E quando falo há tempo, lá se vão seus 20 anos. Naquela época, a China me pareceu um país muito confuso, ao iniciar pela sua enorme população, o que deixava tudo congestionado, super lotado e atrapalhado. O transporte público não era bom e a limpeza urbana deixava a desejar. Muito disso podia ser visto também nas fábricas e no comportamento de seus colaboradores. Se trabalhava muito, mas sem um foco, sem condições adequadas e principalmente sem controle sobre as atividades, o que se refletia na baixa qualidade dos produtos fabricados.

Pois bem, neste último mês de outubro tive a oportunidade de passar 15 dias na China, uma viagem com tempo suficiente para ficar surpreso. Surpreso principalmente pela grande transformação de um país em praticamente duas décadas. O motivo principal da viagem foi buscar tecnologia, informação e conhecimento para uma nova ideia, de trabalhar com kit´s de energia fotovoltaica, área que tenho certeza que tem um grande potencial de mercado no Brasil. Para tanto, o alvo foi visitar a Feira Internacional de Importação e Exportação de Cantão, a Canton Fair, buscando fornecedores e potenciais parceiros.

Antes de falarmos sobre a feira, porém, gostaria de falar sobre minha chegada na China. Cheguei no aeroporto de Ghanghzou, um aeroporto moderno e muito próximo a cidade. Uma rodovia de 5 pistas de cada lado, nova e com muita arborização e que chama a atenção pela grande quantidade de esculturas a céu aberto em seus canteiros centrais, liga o aeroporto a cidade. Ao chegar no hotel, minha primeira boa surpresa... fui recepcionado por uma espécie de atendente robô, que gentilmente me deu as boas vindas. Além das excelentes e modernas instalações do hotel, que não perde em nada para os melhores hotéis do mundo, observei um nível de serviço excepcional, marcado pela dedicação e atendimento exemplar de seus funcionários, sempre dispostos a ajudar. Muitos dos funcionários que me atendiam no café da manhã me atendiam ao longo do dia e até no jantar, fruto de acordos abertos entre funcionários e seus contratantes.

Mas vamos falar um pouco da Canton Fair, minha segunda boa surpresa.

A Canton Fair é realizada na cidade de Guanghzou, cidade no sul da China muito próxima a Macau e Hong Kong (falaremos mais da cidade daqui a pouco), com mais de 18 milhões de habitantes. A feira ocorre duas vezes ao ano, em abril e outubro, desde 1957 (este ano foi a edição n. 122 da feira) e ocupa uma área de 1,1 milhão de metros quadrados. A mesma possui três fases, sendo a primeira de 15 a 19 de outubro, dedicada a máquinas e equipamentos de grande porte, máquinas de pequeno porte, veículos e autopeças, motos e acessórios, bicicletas e acessórios, ferramentas manuais e elétricas, louças e metais sanitários, materiais de construção e decoração, recursos energéticos e energia renovável, eletrodomésticos, computadores e periféricos, equipamentos de comunicação, produtos químicos e minerais, lâmpadas, luminárias e afins, veículos e máquinas para construção e produtos elétricos e eletrônicos.

A segunda fase ocorre de 23 a 27 de outubro, dedicada a artigos de cozinha, artigos de cama, mesa e banho, artigos de decoração, artigos para o lar, utilidades domésticas, móveis para casa e jardim, móveis para escritório, produtos em ratan e aço, artesanato em ferro e tecelagem, artigos para jardinagem, produtos em pedra e aço, produtos em vidro, produtos de estética, produtos de higiene, relógios, instrumentos ópticos, brinquedos, presentes e produtos para festas e brindes. Já a terceira fase ocorre de 31 de outubro a 4 de novembro e é dedicada a vestuário masculino, feminino, infantil, roupa intima, roupas esportivas, matéria-prima têxtil, calçados, malas e bolsas, artigos de pele, couro e produtos relacionados, acessórios de moda, tecidos para o lar, carpetes e tapetes, produtos alimentícios e nativos, produtos médicos e para a saúde, artigos para esporte e material de escritório.

Cada fase tem 5 dias de duração, sendo que a mudança entre cada fase ocorre em apenas 3 dias....haja organização para mudar uma feira inteira, com mais de 6.500 expositores por fase, em apenas 3 dias. O público da feira é composto por pessoas do mundo inteiro (a feira não é para chineses, e sim para o público internacional). Durante os 15 dias de feira, um público visitante aproximado de 200 mil pessoas de 210 países lotam os seus enormes pavilhões.

Visitei a fase I da feira. Muito bem localizada, com pavilhões amplos e modernos, bem sinalizada e diferente das feiras do Brasil, pois o foco da feira é negócios (você não vai encontrar grandes estandes e muito menos comida e bebida para os visitantes. Vai encontram sim muito material de divulgação dos produtos, folders e catálogos, que o Chinês faz questão de entregar em troca de um cartão de visitas). A feira tem de tudo, mas demonstra principalmente uma maturidade em termos de negócios e produtos, muito mais bem acabados e com boa qualidade. Impressiona também as máquinas e equipamentos vendidos na feira, com custo muito baixo, o que facilita e incentiva a produção local. Caminhei ao longo de 4 dias na feira, das 10h as 17h aproximadamente, sem parar muito e acreditem, faltou muito para ver. Para se visitar uma feira dessa envergadura, deve-se ir com foco, ter um produto ou objetivo bem definido para se buscar e negociar.

Antes e depois da feira, tive a oportunidade de visitar algumas fábricas chinesas. Eis minha terceira boa surpresa....encontramos fábricas organizadas, com funcionários uniformizados e utilizando EPI´s, com bons equipamentos e ávidas por venderem seus produtos. O que mais chamou a atenção foi novamente a dedicação dos funcionários, comprometidos com suas empresas e seus resultados, sempre buscando fazer negócios ou estabelecer parcerias.

Nas ruas, encontrei, diferente da visita de anos atrás, uma cidade limpa, segura e organizada, arborizada, com um sistema de transporte público muito eficiente. Carros importados e muitos carros elétricos dominavam a paisagem. Várias estações de recarga de veículos elétricos podiam ser vistas nas ruas e inclusive no hotel. Alugar um carro? Haviam diversas opções em pontos estrategicamente localizados. Basta reservar pelo aplicativo, ir até o carro, passar o QR Code do celular no para-brisa do veículo e pronto, carro disponível.

Prédios modernos e de arquitetura impressionante são vistos em toda a cidade. Muitos deles construídos com as mais modernas técnicas de sustentabilidade. Destaca-se no contexto arquitetônico a Canton Tower com seus 604 metros de altura e sua iluminação fantástica, sendo a segunda torre mais alta do mundo.

Além disso, é comum vermos sistemas de iluminação pública que aproveitam a energia eólica e solar, num projeto criativo.

Outro destaque da paisagem é a quantidade de bicicletas para locação, praticamente em todas as esquinas. São locadas também através de um aplicativo. Falando em aplicativos, os mesmo dominam praticamente as relações comerciais. Supermercados, restaurantes, bares, táxis e até o vendedor de esquina são pagos através de QR Code´s.


Falando em supermercado, acredito que um bom local para se conhecer um país é a disponibilidade de alimentos e a qualidade de sua disposição em um supermercado. Pois bem, a foto abaixo revela um pouco da transformação de um país, que ficou mais rico e pujante.

A cidade de Ghanghzou é uma das mais bonitas que já conheci, fruto de uma gestão pública moderna. Enquanto nos últimos 10 anos o Brasil viveu um retrocesso econômico, muito em função de sua crise política e de identidade, a China progrediu muito, fazendo jus a um PIB de 2 dígitos. O que pude concluir é que o mundo ensinou primeiro a China a produzir e depois cobrou qualidade. E eles aprenderam...


Mas como competir? Esta não é a pergunta certa
Talvez a pergunta certa seria: Mas como tirar proveito disto? A ideia é buscarmos alianças estratégicas com empresas chinesas, trabalhando em conjunto. O Brasil tem muitas matérias-primas que interessam aos chineses, além de um grande mercado. A distância também pode ser um aliado, já que diversas empresas chinesas buscam parcerias para produzirem seus produtos fora da China. O Brasil, bem localizado, pode se tornar um portal de negócios para toda a América Latina. Assim, buscar parcerias e produzir junto com empresas chinesas talvez seja o melhor caminho. Não quero com este artigo afirmar que a China não tem lá seus problemas, mas a surpresa veio da verdadeira transformação, fruto de políticas públicas assertivas e voltadas a desenvolvimento e o incentivo à produção. Quiçá tivéssemos esta chance.

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